CRMV-RJ homenageia Muniz de Aragão nos 100 anos da morte do Patrono do Serviço de Veterinária do Exército

O tenente-coronel médico João Muniz Barreto de Aragão foi considerado Patrono do Serviço de Veterinária do Exército, como reconhecimento aos seus esforços para a fundação e desenvolvimento daquele serviço. No ano em que completa 100 anos de sua morte, o CRMV-RJ homenageia essa importante figura.

O tenente-coronel nasceu no dia 17 de junho de 1874, em Santo Amaro, no Estado da Bahia, filho do Barão e da Baronesa do Mataripe, Antônio Muniz Barreto de Aragão e de D. Tereza Maria Pires de Albuquerque Muniz de Aragão. Faleceu de síncope cardíaca no dia 16 de janeiro de 1922, na casa em que residiu, localizada na rua que recebeu seu nome, Avenida Tenente-Coronel Muniz de Aragão, no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Sua história no Exército começou em 1897, quando o então acadêmico de medicina (formado pela Faculdade de Medicina da Bahia) se apresentou como voluntário e foi incorporado aos contingentes que partiram para o atendimento aos militares do Exército Brasileiro na Guerra de Canudos.

Foi declarado tenente médico do Corpo de Saúde do Exército, mediante concurso, em 1901.

Em 1904, foi designado para servir no Laboratório Militar de Microscopia Clínica e Bacteriologia — atual Instituto de Biologia do Exército — onde teve atividade exemplar no ramo da pesquisa, de forma a conseguir extinguir as zoonoses.

Se destacou no combate de doenças infecciosas e parasitárias que assolavam os rebanhos nacionais, principalmente o Mormo, zoonose que atingia inclusive os contingentes militares nos quartéis e a população civil da cidade. Graças a seu incansável trabalho, conseguiu extinguir tal moléstia no plantel equino do Exército.

Participou da criação e foi o primeiro diretor do Serviço de Defesa Sanitária Animal, em 1911, que viria a se tornar o Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, e redigiu o primeiro Código Sanitário Animal.

Foi defensor ferrenho da criação do ensino da Medicina Veterinária no Brasil, até então inexistente no país, e com a ajuda inestimável do General Médico Ismael da Rocha, Diretor de Saúde do Exército — que contratou oficiais veterinários do Exército Francês para ajudá-lo na tarefa, criou a Escola de Veterinária do Exército pelo Decreto nº 2.232, de 6 de janeiro de 1910, a primeira do tipo no Brasil e que teve o início de seu funcionamento no ano de 1914, no bairro de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, tendo sido seu diretor na ocasião da formatura da primeira turma em 1917.

Casado com a senhora Maria Augusta Meira de Castro, teve seis filhos: João Mauricio Moniz de Castro de Aragão, Augusto Cezar de Castro Moniz de Aragão, Mário Augusto de Castro Moniz de Aragão, Renato Augusto de Castro Moniz de Aragão, Raymundo Augusto de Castro Moniz de Aragao e Augusto Cezar Muniz Aragão.

Por suas ações relevantes no âmbito da Medicina Veterinária brasileira, o tenente-coronel Muniz de Aragão teve reconhecido o seu trabalho, recebendo pelo Decreto-Lei nº 2893, de 20 de dezembro de 1940, a distinção de Patrono do Serviço de Veterinária do Exército e, pela Portaria nº 897-Cmt EB, de 14 de junho de 2018, a de Patrono da Veterinária Militar.

Hoje temos os frutos de sua preocupação com a medicina preventiva, atividade que não pode prescindir do médico-veterinário na proteção à saúde do homem, seja no controle de zoonoses e pragas, na inspeção e segurança dos alimentos e da água, na defesa alimentar, no saneamento básico, na produção de soros e vacinas, na biossegurança e biodefesa, e na Inteligência em Saúde através dos levantamentos sanitário e epidemiológico de campo, atividades essas identificadas com o legado científico do Patrono da Veterinária Militar.

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