Raiva é confirmada em cão no Rio e CRMV-RJ alerta para cuidados após contato com morcegos

Um cão que vivia em área urbana do Rio de Janeiro teve diagnóstico confirmado de raiva em agosto. O animal tinha histórico de contato com morcegos, segundo alerta da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), divulgado em 18 de setembro. A variante do vírus ainda está em análise. Diante do caso, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) reforça os cuidados para evitar novos casos e orienta responsáveis por cães e gatos sobre como agir diante do contato com morcegos e outros animais silvestres.

A vacinação antirrábica de cães e gatos deve estar em dia. Também é recomendado evitar que os animais tenham acesso livre às ruas e, no caso dos cães, utilizar coleira e guia durante os passeios. Gatos devem ser mantidos em ambiente domiciliar, preferencialmente com telas de proteção em portas e janelas.

“A confirmação desse caso mostra que a raiva continua sendo uma preocupação de saúde pública e que a prevenção precisa fazer parte da rotina. A vacinação dos animais e o cuidado diante do contato com morcegos são medidas que podem evitar situações de risco. Em caso de mordedura, arranhadura ou lambedura, a orientação é procurar atendimento de saúde imediatamente”, afirma o presidente do CRMV-RJ, Diogo Alves.

Morcegos encontrados durante o dia, caídos no chão, pendurados em paredes ou cortinas e em outros locais considerados incomuns podem estar infectados. Nesses casos, a orientação do CRMV-RJ é não tocar no animal, vivo ou morto, nem tentar capturá-lo, matá-lo ou removê-lo por conta própria. O serviço de zoonoses do município deve ser acionado para fazer o recolhimento.

Também é preciso evitar que cães e gatos tenham contato com morcegos ou outros animais silvestres, vivos ou mortos. Animais desconhecidos, feridos, doentes ou que apresentem comportamento alterado também não devem ser manipulados.

Em caso de mordedura, arranhadura ou lambedura de mucosa ou de pele lesionada provocada por qualquer mamífero doméstico ou silvestre, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível, mesmo que o ferimento pareça pequeno ou que tenha passado algum tempo desde o contato. O local deve ser lavado imediatamente, de forma abundante, com água corrente e sabão. A equipe de saúde avaliará a necessidade de vacina antirrábica e, quando indicado, de soro ou imunoglobulina.

A orientação é ainda mais importante em casos de agressão por morcegos ou outros mamíferos silvestres, considerados situações graves independentemente da extensão da lesão. Já cães ou gatos domiciliados envolvidos em uma agressão devem permanecer em observação por 10 dias. Se o animal adoecer, morrer, desaparecer ou apresentar mudança de comportamento, o serviço de saúde municipal deve ser informado imediatamente.

Para os médicos-veterinários e outros profissionais que trabalham diretamente com animais, a SES-RJ recomenda o uso de equipamentos de proteção individual durante o manejo. Animais com sinais sugestivos de raiva, como mudança brusca de comportamento, salivação intensa, falta de coordenação motora ou paralisia progressiva, devem ser comunicados imediatamente à vigilância em saúde municipal no caso de cães e gatos.

A raiva é uma zoonose viral que provoca encefalite progressiva e apresenta letalidade próxima de 100% depois do início dos sintomas. No Rio de Janeiro, os dois últimos óbitos humanos registrados nas últimas décadas ocorreram em São José do Vale do Rio Preto, em 2006, e em Angra dos Reis, em 2020. Nos dois casos, a transmissão ocorreu por morcegos infectados.

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