Toxoplasmose e a desinformação veiculada em filme brasileiro

Após o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) tomar conhecimento de que um filme de comédia dramática brasileiro – lançado em um dos principais streamings – associava apenas o contato direto com um gato a forma de se infectar com o protozoário Toxoplasma gondii, esta autarquia vem se manifestar contrária a desinformação.

Em uma das cenas, a personagem principal, que é uma estudante de medicina capaz de escutar o pensamento das pessoas após sofrer acidente de trabalho, desconfia que a paciente está com toxoplasmose e pergunta se a mesma teve contato com gatos. Após muita insistência, a paciente confessa que esteve na casa de um ex-namorado e “brincou com um gato”. Dessa forma, a residente constatou que se tratava de toxoplasmose.

Cabe ressaltar que as pessoas podem contrair toxoplasmose de várias maneiras: ingestão de oocistos esporulados em alimentos e água contaminados; ingestão por produtos de origem animal não cozidos; transmissão transplacentária – da mãe para o feto; e xenosmofilia – contaminação mecânica, por exemplo, quando animais que se esfregam em caixas de areia onde gatos com o protozoário tenham defecado anteriormente. Os oocistos esporulados aderem no pelo e, ao afagar o animal, o ser humano pode se contaminar ao levar os dedos na boca.

O gato que não sai de casa e se alimenta de ração e bebe água filtrada não tem chance de se infectar com T. gondii. Para isso, nunca dê aparas de vísceras e carne cruas.

Geralmente, a infecção não provoca sintomas, mas algumas pessoas apresentam linfonodos inchados, febre, uma vaga sensação de mal-estar e às vezes dor de garganta ou visão embaçada e dor nos olhos. Nas pessoas com o sistema imunológico debilitado por AIDS ou outra doença, a toxoplasmose pode ser reativada, afetando geralmente o cérebro. Uma infecção reativada pode causar fraqueza, confusão, convulsões ou coma ou disseminar-se por todo o corpo. Bebês infectados antes do nascimento (chamado infecção congênita) podem apresentar defeitos congênitos, perda de visão, convulsões, incapacidade intelectual ou outras anormalidades.

Nesse sentido, o CRMV-RJ, com interesse em desmistificar essa zoonose, lança a nota com sentido de agregar conhecimento. Esse tipo de informação errônea sobre a doença acarreta muita das vezes aos animais abandonos e preconceitos.

O CRMV-RJ, como órgão consultivo, se coloca à disposição de produtores para entrar em contato quando abordarem assuntos pertinentes a Saúde Única.

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