Dia do Zootecnista: Conheça a história da zootecnista Melissa Chambarelli

melissa chambarelli - zootecnista

Zootecnistas não param: desenvolvem, planejam, implementam, gerenciam técnicas de produção animal, elevam a produtividade, associada ao bem-estar animal, sustentabilidade, qualidade de vida das famílias rurais e segurança alimentar dos consumidores.

Em homenagem ao Dia do Zootecnista, comemorado neste dia 13 de maio, o CRMV-RJ preparou uma entrevista exclusiva com a professora adjunta do Departamento de Parasitologia Animal, do Instituto de Veterinária da Universidade Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Melissa Chambarelli.

Confira:

– Qual perfil que você acredita que uma pessoa deva ter para ser um zootecnista?

Essa é uma pergunta que parece simples de responder, mas na verdade é bem complexa. Acho que para ser zootecnista, a pessoa deve amar e respeitar os animais acima de tudo. Além disso ter consciência da grandeza da carreira que está abraçando, pois o zootecnista, juntamente com outros profissionais das ciências agrárias, são os principais responsáveis pelo desenvolvimento/transmissão de tecnologia para produção de alimentos de origem animal. Dentro das competências necessárias para a formação de um zootecnista existem aquelas chamadas de competências técnicas, que serão adquiridas ao longo da graduação, e as comportamentais, que são inerentes ao indivíduo e imprescindíveis para a atuação profissional. Dentre as dezenas de competências comportamentais que o zootecnista deve possuir vou citar aqui algumas que julgo ser de grande importância, são elas:  a capacidade de trabalhar em grupo, a liderança, capacidade de tomar decisões, ser bastante observador, ser um bom negociador e mediador, mas acima de tudo deve ter empatia (e quando falo em empatia me refiro a todos os seres sencientes).

– Quais são as principais áreas de atuação?

Durante a graduação o indivíduo terá contato com diferentes opções dentro da carreira. Dessa forma, o zootecnista pode seguir por vários caminhos, seja a campo, na indústria, em laboratórios ou instituições de ensino. Dentre a grande quantidade de opções podemos citar: a docência/pesquisa, a produção animal/produção de produtos de origem animal, a nutrição animal, o melhoramento genético/avaliação de genealogia dos animais, pode ainda trabalhar com planejamento/vendas, bem-estar animal, terapias humanas que envolvam o uso de animais, assessorar programas de controle sanitário, higiene, profilaxia e rastreabilidade animal, dentre outras possibilidades. Deu para perceber que o leque de opções é grande e vale a pena ressaltar que o zootecnista vai estar sempre cercado por profissionais de áreas correlatas, como o veterinário e o agrônomo, ou indivíduos de profissões aparentemente um pouco diferentes da sua, mas que na realidade não são tão diferentes assim.

– Em qual área atua? Pode explicar um pouco sobre ela e a importância da mesma?

Eu trabalho com a docência (ensino), pesquisa e extensão. Sou professora de parasitologia e bem-estar animal na UFRRJ. Adoro o que eu faço! Eu descobri que gostava dessa área ainda na graduação. Como queria seguir essa área de atuação precisei me especializar após a graduação, então entrei no mestrado e depois no doutorado. As três áreas em que atuo são muito importantes não só para a zootecnia mas para todas as profissões em si, e vou tentar falar delas um pouco. Ensino é a base de tudo. Ajudar aos discentes a adquirir competências técnicas e a desenvolver as competências comportamentais é essencial. O professor dentro da universidade tem o papel de guiar e auxiliar na formação do indivíduo. Faz parte do nosso papel, a transmissão do conhecimento, despertar a curiosidade para que o aluno possa trilhar seu caminho a procura de informações, dar muitas vezes um direcionamento, aí não somente como profissional, mas como cidadão. Pesquisa – Trazer à tona perguntas que muitas vezes parecem simples, mas que geralmente são de grande complexidade, e com o auxílio de colegas e dos próprios discentes tentar respondê-las. Nem sempre é fácil, muitas vezes é bastante demorado, mas o resultado sempre é muito gratificante. Através de pesquisa básica conseguimos gerar conhecimento e muitas vezes encontrar alternativas que auxiliam na resolução de problemas. Extensão – é quando você consegue passar o conhecimento para além dos muros da instituição de ensino. É o conhecimento adquirido com os dois anteriores na prática. É quando você consegue trazer um retorno à sociedade através do seu objeto de estudo. O ensino, a pesquisa e a extensão estão muito interligados e precisam um dos outros para se manter. Esses três pilares são muito importantes para a formação dos discentes. Sou realizada na área de atuação que eu escolhi, a troca de conhecimento constante é maravilhosa. Estou sempre aprendendo coisas novas com os meus colegas de trabalho e com os alunos, seja através de um determinado questionamento, ou de algum caso que é trazido para sala de aula. A troca de experiência com os produtores, principalmente os pequenos, também é muito boa, pois, é nessa hora que a gente deve pensar em cima do que aprendemos em sala e devemos adaptar as possíveis soluções para um problema a realidade daqueles indivíduos. Faz parte do papel do educador despertar nos alunos o raciocínio lógico, mostrar que não existe uma solução única e pronta para tudo. Nós damos as ferramentas para que eles possam construir seu próprio caminho.

– Como escolheu a zootecnia e por quê?

Não vou mentir e dizer que eu conhecia a fundo a profissão de zootecnista quando ingressei na graduação. Eu escolhi a zootecnia em primeiro lugar pelo amor que eu sempre senti pelos animais, e pelo fato de saber que não tinha muita aptidão para veterinária (que na época a visão que eu tinha era limitada apenas a parte clínica e não sabia tanto da importância do profissional como um todo). Desde sempre eu sabia que trabalharia com animais, me interessava bastante pela produção de alimentos para consumo animal, então comecei a pesquisar sobre e descobri que o zootecnista tinha um bom campo de atuação nessa área. Então, ingressei na UFRRJ interessada principalmente na nutrição animal, e fui conhecer realmente mais a fundo o papel do zootecnista durante a minha graduação. Nesse período um leque muito grande de opções se abriu a minha frente, vi que a zootecnia não era apenas a nutrição animal, era muito mais do que isso. Vi que o zootecnista era responsável pelo melhoramento animal, pelo bem-estar animal, por otimizar/gerenciar a cadeia produtiva, pela adequação de instalações zootécnicas, pelo manejo junto aos animais, dentre muitos outros.  Hoje, sempre que me perguntam o que um zootecnista faz eu tenho orgulho em dizer que ele é o profissional da produção animal. Ressalto sempre como é importante essa profissão (juntamente com outras das ciências agrárias) para um país como o nosso onde o agronegócio é uma das bases da economia e como também é essencial para a saúde, já que este profissional também é responsável pela manutenção da saúde física e mental dos animais e humanos.

Melissa C. M. do Couto Chambarelli

Professor Adjunto do Departamento de Parasitologia Animal, do Instituto de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Ministra aulas para os cursos de graduação em Medicina veterinária e Zootecnia, nas disciplinas de Parasitologia animal II, Parasitologia aplicada à Zootecnia, Bioetica e Bem-estar animal. Vinculada como professor colaborador ao PPGCV da UFRRJ, trabalhando com ensino, pesquisa e extensão.

Graduação em Zootecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2004) e Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Castelo Branco (2011). Mestrado em Ciências Veterinárias pela UFRRJ (2008) como bolsista CAPES, na área de helmintologia. Doutorado em Ciências Veterinárias pela UFRRJ (2012) bolsista CNPq, na área de protozoologia. Pós-doutorado na UFRRJ (2015), na área de protozoologia, bolsista CAPES/FAPERJ. Membro da Comissão de Ética em Uso de Animais do Instituto de Veterinária da UFRRJ (desde 2017).

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