Primeiro emprego não é humilhação: ética e respeito no início da carreira médica veterinária

Ingressar no mercado de trabalho é um dos momentos mais desafiadores da trajetória profissional. Na Medicina Veterinária, essa etapa costuma ser marcada por insegurança, alta cobrança e pela necessidade constante de provar competência técnica — especialmente no primeiro emprego, quando o profissional ainda está construindo experiência prática.

Situações de entrevistas de emprego conduzidas de forma agressiva, desrespeitosa ou humilhante, infelizmente, não são casos isolados. Relatos recorrentes de médicos-veterinários recém-formados indicam abordagens que extrapolam critérios técnicos de avaliação, envolvendo constrangimentos, desqualificação da formação acadêmica e discursos intimidatórios durante processos seletivos.

Avaliar conhecimentos, testar condutas clínicas e analisar a capacidade de tomada de decisão em situações de emergência fazem parte da seleção profissional. No entanto, essas avaliações devem ocorrer de forma ética, respeitosa e compatível com o estágio de formação do candidato. A ausência de experiência não pode ser tratada como falha profissional, mas como uma condição natural de quem inicia a vida na profissão.

O início da carreira exige orientação, supervisão e oportunidades reais de aprendizado. Nesse contexto, o compromisso ético dos empregadores é fundamental para a formação de profissionais seguros, responsáveis e preparados para o exercício da Medicina Veterinária. Desqualificar instituições de ensino, menosprezar trajetórias acadêmicas ou adotar discursos de intimidação não contribui para o fortalecimento da profissão e pode gerar impactos significativos na saúde mental dos profissionais.

A competência técnica é construída com estudo contínuo, prática supervisionada e troca de conhecimento. A ética, por sua vez, deve estar presente desde o primeiro contato entre empregador e candidato, inclusive durante entrevistas e processos de contratação.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) reforça que as relações de trabalho devem ser pautadas pelo respeito, pela legalidade e pela valorização profissional, independentemente do tempo de formado. Profissionais recém-formados devem estar atentos a propostas que envolvam cargas horárias excessivas, ausência de supervisão adequada ou ambientes de trabalho hostis. O primeiro emprego não deve significar submissão a situações abusivas ou desrespeitosas.

Esta autarquia segue comprometido com a orientação da categoria, com a defesa do exercício profissional ético e com a promoção de um ambiente de trabalho mais justo, seguro e humano para todos os médicos-veterinários, do recém-formado ao profissional mais experiente.

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