Leishmaniose, dirofilariose e outras doenças tropicais: o perigo que chega com o verão

Com a chegada do verão, o aumento das temperaturas e das chuvas típicas da estação cria o cenário ideal para a proliferação de mosquitos, pulgas e carrapatos. Esse ambiente favorece a disseminação de doenças que atingem cães, gatos e também os seres humanos, tornando quintais, jardins e áreas externas potenciais focos de risco, especialmente em estados como o Rio de Janeiro.

Entre as principais zoonoses está a leishmaniose, considerada uma das dez doenças tropicais negligenciadas mais relevantes do mundo. Estima-se que mais de 12 milhões de pessoas estejam infectadas globalmente. A doença é endêmica em 99 países, e o Brasil figura entre as nações com maior número de casos, sobretudo na forma visceral.

Nas Américas, dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indicam que, entre 2001 e 2023, foram notificados mais de 1,17 milhão de casos de leishmaniose cutânea e mucosa e cerca de 73 mil casos de leishmaniose visceral, com taxa de letalidade em torno de 8%, considerada uma das mais elevadas quando comparada a outros continentes. A transmissão ocorre pela picada da fêmea do flebotomíneo, popularmente conhecido como mosquito-palha.

Nos cães, a doença pode causar emagrecimento progressivo, feridas na pele, crescimento anormal das unhas, apatia e alterações oculares. Em humanos, as manifestações variam desde lesões cutâneas ulceradas até quadros viscerais graves, que podem levar à morte quando não tratados.

Outra enfermidade que exige atenção no verão é a dirofilariose, conhecida como verme do coração. Transmitida por mosquitos infectados — inclusive espécies como o Aedes aegypti —, a doença atinge principalmente cães, mas também pode acometer gatos e seres humanos. O parasita se aloja nos vasos pulmonares e no coração, comprometendo a função cardíaca e respiratória e podendo levar à morte.

Também ganham destaque nesta época do ano outras doenças transmitidas por vetores, como a ehrlichiose e a babesiose, associadas aos carrapatos, que podem provocar anemia, febre, sangramentos e imunossupressão. Em humanos, a presença desses ectoparasitas está relacionada a enfermidades de relevância em saúde pública, como a febre maculosa brasileira.

A principal forma de proteção é a prevenção contínua. O uso de antiparasitários prescritos por médicos-veterinários, a eliminação de água parada, a limpeza frequente de quintais, a retirada de matéria orgânica e o controle de insetos são medidas fundamentais para reduzir o risco de transmissão.

O CRMV-RJ alerta que sinais como apatia, tosse persistente, perda de peso, feridas na pele e alterações de comportamento não devem ser ignorados. A avaliação precoce por um médico-veterinário é decisiva para o sucesso do tratamento e para a proteção da saúde dos animais e das famílias.

Com o verão, o risco aumenta — mas a informação e a prevenção continuam sendo as melhores ferramentas de proteção.

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