
A presença de carrapatos em áreas rurais, de mata, pastagens e locais com circulação de animais exige atenção. A febre maculosa, doença transmitida pela picada de carrapatos infectados, pode apresentar evolução rápida e formas graves, especialmente quando o tratamento não é iniciado precocemente.
No Sudeste, a forma mais grave da doença está associada principalmente à bactéria Rickettsia rickettsii. O risco não está restrito a quem trabalha no campo: pessoas que frequentam trilhas, sítios, fazendas e áreas de vegetação também podem entrar em contato com carrapatos infectados.
“Para a transmissão da Febre Maculosa, é necessário que o carrapato esteja infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii”, explica a médica-veterinária Carla de Freitas Campos, membro da Comissão de Saúde Única do CRMV-RJ e diretora-adjunta do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz).
Os primeiros sintomas costumam aparecer de forma repentina. Febre alta, dor de cabeça intensa, prostração, dores musculares, náuseas e vômitos estão entre os sinais mais frequentes. Manchas avermelhadas também podem surgir, principalmente nas mãos e nos pés, mas sua ausência não descarta a doença.
O período entre a infecção e o aparecimento dos sintomas também merece atenção. “O período de incubação pode variar de dois a 15 dias, então, mesmo semanas após visitar áreas de risco, é importante considerar a possibilidade da doença caso os sintomas apareçam”, afirma Carla.
A informação sobre uma possível exposição a carrapatos pode ser decisiva durante o atendimento. “A febre maculosa demanda atenção especial, já que os sintomas podem ser inespecíficos e o carrapato nem sempre é encontrado. Um histórico detalhado das áreas visitadas é fundamental para orientar o diagnóstico precoce e evitar complicações graves”, explica a médica-veterinária.
Diante de sintomas compatíveis, a recomendação é procurar atendimento médico e informar se houve contato com carrapatos ou passagem recente por áreas de risco. O tratamento deve ser iniciado diante da suspeita clínica, sem esperar a confirmação dos exames laboratoriais. A demora pode favorecer a evolução para formas graves.
Os dados mais recentes consolidados pelo Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema. Em 2025, foram registrados 57 óbitos por febre maculosa no Brasil, sendo 11 no Estado do Rio de Janeiro. No mesmo ano, foram confirmados 149 casos no país, dos quais 33 ocorreram no Rio.
A prevenção começa pela redução do contato com os parasitas. Ao frequentar áreas de risco, a orientação é usar roupas claras, calças compridas, blusas de manga longa e botas. A cor clara facilita a identificação do carrapato na roupa.
Também é importante examinar o corpo durante e depois da permanência nesses locais. Carrapatos podem ser pequenos e se esconder em regiões como axilas, virilha, dobras da pele e couro cabeludo.
“É essencial inspecionar o corpo a cada duas horas e após sair do local, já que os carrapatos passam um tempo buscando o local ideal de fixação. Assim, é possível removê-los antes da transmissão da doença”, orienta Carla.
Se um carrapato estiver preso à pele, a retirada deve ser feita com uma pinça, com cuidado para não esmagar o parasita. Depois, a região deve ser higienizada.
Os animais também fazem parte dessa prevenção. Cães que circulam por áreas infestadas podem carregar carrapatos para dentro de casa. A inspeção dos animais após passeios em locais de risco e o acompanhamento médico-veterinário são importantes para reduzir a exposição da família.
A prevenção da febre maculosa também reforça a importância da Saúde Única, abordagem que considera a relação entre a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente. Nesse contexto, reconhecer a presença de carrapatos e adotar medidas de proteção são atitudes que ajudam a reduzir o risco de transmissão.
