
Sexta-feira 13 costuma despertar curiosidade, receios e muitas histórias cercadas por misticismo. O problema é quando antigas crenças ultrapassam o campo das lendas e acabam atingindo quem nada tem a ver com isso: os animais, especialmente os gatos pretos.
Ainda hoje, esses felinos são alvo de associações equivocadas à má sorte ou a acontecimentos negativos. Essa visão distorcida, herdada de períodos históricos marcados por intolerância — como a Idade Média —, perpetuou-se ao longo dos séculos por meio da cultura popular, do cinema e de narrativas folclóricas. O resultado é preocupante: em datas como a sexta-feira 13, cresce o número de relatos de abandono, adoções por motivos indevidos e até maus-tratos.
Do ponto de vista técnico e científico, não existe qualquer relação entre a cor da pelagem e o comportamento de um animal. O temperamento de um gato é influenciado por fatores como genética, socialização, ambiente e manejo. A coloração preta é apenas uma característica genética, sem qualquer significado místico ou comportamental.
Os médicos-veterinários têm papel essencial nesse contexto. Além de atuarem na promoção da saúde e do bem-estar animal, também contribuem para a conscientização da população, combatendo desinformação e incentivando a guarda responsável. Informação de qualidade é uma ferramenta poderosa contra o preconceito.
Gatos pretos são tão afetuosos, inteligentes e companheiros quanto quaisquer outros. Associá-los a superstições é ignorar evidências científicas e, pior, abrir espaço para atitudes que colocam vidas em risco.
Respeito e proteção devem ser destinados a todos os animais, independentemente da cor da pelagem. No fim das contas, sorte mesmo é ter a oportunidade de conviver com um animal saudável, amado e bem cuidado — seja ele preto, branco, rajado ou tricolor.
