CRMV-RJ alerta para riscos de tratar cirurgia de histerectomia e orquiectomia como “linha de produção”

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) vem a público fazer um alerta à população e aos responsáveis por animais sobre a realização dos chamados “mutirões de castração” (histerectomia e orquiectomia) conduzidos sem a devida observância dos protocolos clínicos e anestésicos exigidos pela Medicina Veterinária.

Procedimentos cirúrgicos não podem ser conduzidos como se fossem parte de um processo de automação industrial. Cada paciente possui características fisiológicas próprias, histórico clínico individual e condições de saúde que precisam ser avaliadas previamente por um médico-veterinário. A adoção de um único protocolo cirúrgico-anestésico para diversos animais, sem avaliação individualizada, representa um risco real à vida e ao bem-estar dos pacientes.

O Conselho reforça que a realização de exames pré-operatórios, aliados à anamnese e à avaliação clínica detalhada, é etapa indispensável para verificar se o animal está apto a se submeter ao procedimento. O cuidado, no entanto, não se limita ao momento da cirurgia. O acompanhamento no período pós-operatório é igualmente essencial para garantir uma recuperação segura, com controle adequado da dor, monitoramento do despertar anestésico e prevenção de complicações.

Nos últimos meses, o CRMV-RJ tem recebido diversas denúncias relacionadas à ausência de acompanhamento adequado no pós-operatório em determinados mutirões, especialmente durante o período de recuperação anestésica — fase considerada crítica para a segurança do paciente.

Outro ponto de atenção diz respeito à infraestrutura utilizada nesses procedimentos. Mesmo quando há autorização sanitária para funcionamento, estruturas improvisadas ou que não garantam condições técnicas adequadas podem comprometer seriamente a segurança cirúrgica.

A autarquia destaca ainda que o ato cirúrgico envolve uma série de etapas técnicas que vão muito além da intervenção em si, incluindo monitoramento anestésico contínuo, controle da dor, assepsia rigorosa, prevenção de infecções e suporte adequado durante a recuperação. A negligência em qualquer dessas fases pode resultar em complicações graves.

Diante desse cenário, o CRMV-RJ orienta que os responsáveis busquem sempre serviços que garantam a presença efetiva do médico-veterinário, infraestrutura apropriada e protocolos compatíveis com as boas práticas da Medicina Veterinária.

A castração é uma ferramenta importante para o controle populacional e para a saúde dos animais, mas deve ser realizada com responsabilidade técnica, segurança e respeito à individualidade de cada paciente. Procedimentos cirúrgicos precisam ser pautados por indicação clínica e critérios técnicos — jamais por pressões comerciais ou práticas que reduzam o cuidado veterinário a um processo mecanizado.

O CRMV-RJ reafirma seu compromisso permanente com a defesa da Medicina Veterinária, com a valorização dos médicos-veterinários e, sobretudo, com a proteção da saúde e do bem-estar animal.

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