
O estado de São Paulo registrou dez mortes por febre maculosa em 2026, segundo balanço da Secretaria de Estado de Saúde (SES-SP) divulgado até 2 de julho. No período, foram confirmados 11 casos da doença, considerada uma das zoonoses mais graves do país em razão da alta letalidade quando o tratamento não é iniciado precocemente.
Os óbitos foram registrados nos municípios de Piracicaba (3), Sorocaba (3), Campinas (2), Santo André (1) e São José dos Campos (1), reforçando o alerta para a necessidade de vigilância epidemiológica e de medidas preventivas.
Diante desse cenário, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) destaca que o médico-veterinário exerce papel fundamental na prevenção e no controle da febre maculosa. A atuação do profissional vai além da assistência aos animais e inclui a vigilância epidemiológica, o monitoramento de áreas de risco, o controle de carrapatos, a investigação de zoonoses e a orientação da população, dentro do conceito de Saúde Única.
A febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos infectados, especialmente o carrapato-estrela (Amblyomma sculptum). Animais como capivaras, equinos, cães e outros mamíferos participam do ciclo do carrapato, mas não transmitem a doença diretamente às pessoas.
Entre as atribuições do médico-veterinário estão o monitoramento da circulação dos vetores, a orientação sobre o manejo de animais e ambientes, a participação em ações de vigilância em saúde e o desenvolvimento de estratégias para reduzir o risco de exposição humana aos carrapatos.
A prevenção inclui evitar áreas infestadas, utilizar roupas compridas e botas ao transitar em locais com vegetação, inspecionar o corpo após atividades ao ar livre e remover os carrapatos de forma adequada, sem esmagá-los. Também é importante manter cães e equinos protegidos contra carrapatos, sempre com orientação de um médico-veterinário.
Os primeiros sintomas da febre maculosa costumam surgir entre dois e 14 dias após a picada e incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e mal-estar. Como a doença pode evoluir rapidamente para formas graves, o tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível. Por isso, pessoas que apresentarem sintomas após contato com áreas de risco devem procurar atendimento médico imediatamente e informar sobre a possível exposição aos carrapatos.
