Tratamento para PIF chegou ao Brasil

Durante muitos anos, o diagnóstico de Peritonite Infecciosa Felina (PIF) representou um prognóstico extremamente reservado para gatos e seus responsáveis. Considerada uma doença quase sempre fatal, a PIF passou a ser vista sob outra perspectiva a partir dos avanços da medicina veterinária e do desenvolvimento de terapias antivirais específicas.

Estudo recente conduzido por pesquisadores australianos demonstrou resultados positivos com o uso do antiviral molnupiravir, medicamento inicialmente desenvolvido para o tratamento da Covid-19 em humanos e que vem sendo avaliado para uso veterinário no combate à PIF. A pesquisa analisou gatos acometidos pela doença em diferentes estágios clínicos e indicou taxas de remissão comparáveis — e em alguns casos superiores — às terapias já conhecidas, desde que o protocolo seja corretamente conduzido por médicos-veterinários.

A PIF é causada por uma mutação do coronavírus felino (FCoV) e pode se manifestar de forma úmida (com acúmulo de líquido no abdômen ou tórax) ou seca, atingindo órgãos como rins, fígado, olhos e sistema nervoso central. Por muitos anos, o tratamento era apenas paliativo, focado na redução dos sintomas. Atualmente, com os antivirais, passou a ser possível buscar a remissão clínica da enfermidade.

O estudo aponta que o molnupiravir apresentou bons resultados tanto como terapia principal quanto em situações em que outros tratamentos não obtiveram sucesso. Os gatos acompanhados demonstraram melhora clínica significativa, com redução dos sinais da doença e normalização progressiva dos exames laboratoriais.

A chegada desse tipo de tratamento ao Brasil representa um avanço importante para a medicina veterinária felina, mas também exige responsabilidade por parte dos responsáveis pelos animais. A automedicação pode trazer riscos graves à saúde do gato, além de comprometer o sucesso da terapia.

O CRMV-RJ reforça que somente o médico-veterinário está habilitado para diagnosticar a PIF, solicitar exames complementares — como o PCR para detecção do coronavírus felino —, prescrever o protocolo adequado e acompanhar a evolução do paciente ao longo do tratamento. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando o estágio da doença, o estado clínico do animal e os resultados dos exames complementares.

A medicina veterinária segue avançando e trazendo novas possibilidades para doenças antes consideradas sem solução.

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