Dia do Patologista Veterinário: Confira a entrevista com o médico-veterinário Breno Salgado

Você conhece a função de um médico-veterinário patalogista? Essa é uma especialidade que tem como objetivo a execução e interpretação dos exames laboratoriais, auxiliando médicos veterinários no diagnóstico, acompanhamento e direcionamento de diversas doenças.

Neste dia 15, comemora-se o Dia do Patologista Veterinário. Considerando o papel das Associações na valorização dos profissionais, a Associação Brasileira de Patologia Veterinária, entidade habilitada pelo CFMV para certificação de especialistas na área, na iminência da realização do XX ENAPAVE, adotou o histórico dia 15 de junho – o primeiro dia do I Encontro Nacional de Patologia Veterinária/ENAPAVE, realizado em 1983 em Campo Grande/MS – para celebrar essa especialidade médico-veterinária tão importante.

Para falar mais sobre esse importante ramo na medicina veterinária, o CRMV-RJ traz uma entrevista com o presidente da Associação Brasileira de Patologia Veterinária, Breno Souza Salgado. Confira:

  • Qual a importância de um médico-veterinário patologista?

Patologistas são importantes tanto no tratamento de doenças inflamatórias quanto no de tumores benignos e malignos, fornecendo informações que auxiliam na tomada de decisões acerca de pacientes e rebanhos por meio de minuciosas avaliações moleculares, micro e macroscópicas.

Também estão entre os primeiros a enfrentar surtos de doenças infecciosas e estão em excelente posição para descobrir doenças infecciosas emergentes, assim como avaliar possíveis efeitos de agentes tóxicos e no controle alimentar no âmbito animal, tanto em nível experimental quanto na prática clínica.

  • Quais as habilidades desejáveis que um profissional deva ter para se especializar em patologia veterinária?

Com certeza, interessad(o)(a)s vão se beneficiar da curiosidade. Como a patologia depende de avaliações minuciosas, ser curioso e buscar o máximo de informações sempre é útil. A pró-atividade também vai maximizar a aprendizagem, pois quanto mais se buscar aprender maior será o pano de fundo do conhecimento após o treinamento básico. Habilidades de comunicação interpessoal também se mostram cada vez mais importantes, pois a análise patológica é essencialmente um processo investigativo.

  • Quais são as funções desse profissional?

Patologistas possuem como função primordial chegar ao diagnóstico de uma doença ou identificar eventuais alterações nos indivíduos que contribuam para tal. Para isso, fazem uso principalmente de técnicas de análise microscópica (citopatologia, histopatologia, microscopia eletrônica, imuno-histoquímica, etc.) e macroscópica (por exemplo, necropsia).

  • Qual a estrutura curricular para se especializar em patologia?

Geralmente, a estrutura curricular é aquela encontrada nos cursos de residência médico-veterinária e alguns cursos de mestrado com essa particularidade, envolvendo a participação na rotina diagnóstica de histopatologia e necropsia – em alguns locais também de citopatologia. Esta estrutura complementada pela participação em seminários de diagnóstico, tais como o da Davis-Thomspon Foundation – que apresentam casos desafiadores incomuns ou raros para uma rotina tradicional – reforçando a capacidade diagnóstica dos estudantes, sendo que isso se dá, no Brasil, em um período geralmente de dois anos.

  • Em quais locais um veterinário patologista pode atuar?

Frequentemente a atuação dos patologistas se dá em nível acadêmico (especialmente professores em universidades públicas e privadas) e para fins diagnósticos comerciais (laboratórios privados de diagnóstico) e também no serviço público (laboratórios de diagnóstico governamentais). A atuação na indústria farmacêutica também é uma opção, esta especialmente consolidada no exterior. Tem ganhado também destaque a atuação forense.

Breno Souza Salgado

Breno é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e é professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Residência em Patologia Animal na FMVA-Unesp, mestre e doutor em patologia pela FMB-Unesp, e doutor em Ciências Veterinárias pela Universidade do Porto, em Portugal.

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