Dia Mundial das Zoonoses: Centro de Controle de Zoonoses e a importância para a sociedade

Dia Mundial das Zoonoses

Neste dia 6 de julho, é celebrado o Dia Mundial das Zoonoses. Os últimos dados da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) mostram que 75% das doenças humanas emergentes ou reemergentes do último século são zoonoses. Tendo em vista a importância do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para a prevenção e o controle de agentes dessas doenças, o CRMV-RJ conversou com o diretor do órgão da cidade do Rio de Janeiro (Largo do Bodegão, 150, Santa Cruz), Fernando da Costa Ferreira (CRMV-RJ nº 4917), que abordou o leque de atuação do Centro e as missões.

De acordo com Fernando, o CCZ do município do Rio de Janeiro atua na área de Controle de Zoonoses como esporotricose, raiva, leishmaniose, e atua ainda em zoonoses de menor ocorrência importância como, leptospirose, febre maculosa e eventualmente qualquer outra zoonose que venha aparecer seja em surtos, caso isolado ou epidemia.

“O carro-chefe é o controle e a profilaxia da raiva. Mas também já atuamos em outras zoonoses, como os casos de febre maculosa, surtos de leptospirose isolados… A gente atua na investigação, controle e profilaxia de todas as zoonoses que venham ocorrer no âmbito municipal”, apontou Ferreira.

Além das zoonoses, o Centro também atua na remoção, apreensão, resgate e fiscalização de animais soltos em via pública; e no processo de fiscalização da criação de animais de interesse econômico, zootécnico, de fins comerciais, correndo atrás das exigências de licenciamento, de atendimentos de normas sanitárias, de anotação de responsabilidade técnica, e outras funções atreladas ao que a legislação preconiza para regularização dessas atividades.

O resgate de animais em sofrimento, atropelados, com suspeitas de zoonoses, acontece 24h através de solicitações feitas pela população pelo sistema de teleatendento 1746 da Prefeitura do Rio. O CCZ ainda possui um setor de clínica e cirurgia de pequenos animais voltados exclusivamente para identificação de zoonoses. Na clínica, a grande procura é para atendimento de felinos com esporotricose, onde é realizado exame para diagnóstico e fornecimento da medicação, além disso os animais são cadastrados no SisBicho da prefeitura, com a microchipagem do animal, emissão de carteirinha, entre outros.

“Ainda temos um centro cirúrgico extremamente bem equipado, altamente capacitado para realização de cirurgias diversas, mas como somos um Centro de Zoonoses o nosso foco de atuação está em cima do controle populacional através de cirurgias de esterilização”, declarou o diretor.

Qualquer serviço voltado para controle de zoonoses é realizado gratuitamente no Centro, como exame clínico para diagnóstico de esporotricose, leishmaniose, leptospirose, raiva, consulta clínica para diagnóstico de zoonose, castração para redução de população, resgate de animal, entre outros. Porém, a unidade também disponibiliza atendimentos pagos que não envolvem diretamente o controle de zoonoses, que custam entre R$ 5,26 (permanência de animais de pequeno porte) a R$ 464,39 (sepultamento tipo 2 por dois anos), conforme decreto da Secretaria de Saúde.

Resgate de animais

Segundo o diretor do CCZ, as instalações do Centro possuem instalados, atualmente 238 cães, 56 gatos, 14 equinos, dois porcos e um bovino, todos resgatados. Esses animais são vítimas de abandono, maus tratos, de pedidos da população em geral ou de órgãos da esfera judicial e estão relacionados quase sempre a problemas de maus-tratos ou zoonoses.

“Não é de atribuição ou competência da unidade fazer o resgate de animais única exclusivamente por maus tratos, mas os animais detectados com alguma zoonose são removidos, trazidos para a unidade onde são tratados, recuperados e colocados para adoção. Hoje temos 56 gatos em tratamento de esporotricose, então também temos um viés de bem-estar animal muito bem aceito e estabelecido. Os animais só passam pela eutanásia quando não existe mais nenhum tipo de tratamento e possibilidade terapêutica, ou o animal esteja em grande sofrimento e o procedimento ocorra para alívio da dor”, declarou.

Zoonoses são preocupantes

Fernando esclareceu que é difícil ter uma única preocupação importante quando o assunto é zoonoses. Segundo o diretor do CCZ, a cidade vivencia um surto de esporotricose e o órgão possui uma clínica para diagnóstico, exames gratuitos, fornecimento gratuito da medicação específica para tratamento dessa doença durante toda a necessidade do animal, acompanhamento, busca ativa de casos, e até visita domiciliar para abandono de tratamento a gente tem atualmente. São coisas que a gente tem uma preocupação grade em estar controlando.

Outra preocupação do CCZ em termos de zoonoses é com relação a raiva.

“Esse ano já estamos com o oitavo morcego positivo para raiva. Acabou de acontecer mais um caso positivo na Ilha do Governador. A população de animais de rua é grande e não é assistida por vacina. Os serviços de vigilância nem sempre são sensíveis para detecção de casos suspeitos de raiva. É uma doença que não acomete seres humanos há bastante tempo. É motivo de preocupação, porque temos os morcegos, temos a população de animais de rua não vacinada, temos a população com pouca ou baixa informação a respeito da raiva”, acrescentou Fernando.

Ele ainda esclareceu que “qualquer zoonose onde os órgãos de controle baixem a guarda podem adquirir o status de doença negligenciada e deve ser objeto de preocupação de qualquer gestor de Centro de Zoonoses no Brasil como um todo”. “Se a gente negligencia a possibilidade de disseminação de uma doença podemos estar propiciando o aparecimento de um grande surto, uma epidemia e até uma pandemia”, emendou.

Controle da raiva

A prefeitura do Rio possui dois postos fixos de vacinação que funcionam de 9h até às 16h, de segunda a sexta-feira: o CCZ e o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman (Av. Bartolomeu de Gusmão, 1120, Mangueira). No município, ainda acontece a campanha de vacinação antirrábica anualmente.

Para esse ano, Fernando explicou que a estratégia é montar a campanha de vacinação antirrábica em cinco etapas. Essas etapas geralmente começam no mês de setembro e terminam nos meses de outubro/novembro, podendo se estender até dezembro, dependendo do calendário das outras vacinações da área humana, de feriados e outros percalços que causam problemas na execução da campanha.

Nesse momento, o Centro possui cerca de 90 mil doses de vacina antirrábica em estoque que, segundo Fernando, são mais do que suficientes para atender a rotina diária de demanda espontânea da população nas unidades. Para a campanha de vacinação, já foram feitos os contatos necessários com a SES.

“A gente precisa montar o maior número de postos o mais próximo possível de onde o animal reside para fazer a melhor cobertura vacinal possível. Já aconteceu de não existir a campanha de vacinação, como foi em 2019 e isso se deu a causas externas. A campanha de vacinação é feita com recursos do Ministério da Saúde (MS), da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e do Município. O MS fica incumbido de fazer a compra e a distribuição da vacina a nível nacional. A distribuição dos insumos, seringas e agulhas é feito pela SES e o município entra com a parte de logística, execução, recursos humanos, distribuição, veículos, guarda e demais recursos necessários para a realização da campanha. Em 2019 essa compra no nível federal não aconteceu e não deu tempo dos municípios se organizarem. Esse ano, a SES já informou que as doses estarão disponíveis a partir de 25 de setembro deste ano. A gente fica relativamente tranquilo que teremos uma campanha de boa qualidade com vacina disponível para a população.”, explicou o diretor do CCZ.

A estimativa do órgão para este ano, baseada em números de campanhas anteriores, é de vacinar contra raiva 80% de uma população estimada de 673 mil animais.

Fernando ainda comentou sobre a falta de vacina antirrábica nas clínicas particulares: “Estamos falando de vacina importada para utilização em clínicas veterinárias de uma forma geral. O serviço de importação está com uma certa lentidão na análise da documentação dos lotes e liberação. Tem uma grande quantidade de carregamentos de vacinas que estão parados nos terminais aduaneiros e isso gerou uma dificuldade de se encontrar a vacina de forma particular nas clínicas veterinárias. No serviço público esse problema não acontece no RJ. Temos vacina e está disponível”, declarou.

Ajuda da população

A população também pode ajudar no controle das zoonoses.

“Se temos um animal doente, vamos tratar, vamos notificar. A população pode ligar para o CCZ através do 1746. Com relação a raiva, caso identifique um morcego voando de dia ou no chão, é um comportamento suspeito. Notifiquem a gente. Não abandone animais nas ruas. Cuide do seu animal com a vacinação. Castre o animal para evitar crias indesejadas. A população tem um papel importante no fornecimento de informações, no cuidado diário com o seu animal, na notificação de fatos possivelmente suspeitos. A população é a que mais ajuda com informações que nos ajudam e muito”, finalizou Ferreira.

Fernando da Costa Ferreira

Fernando da Costa Ferreira é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (1995). Ingressou no Serviço público em 1996, como veterinário concursado. Fez mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (UFF – 1998) e especialização em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública ENSP-FIOCRUZ (2001). Como Sanitarista, fez parte da equipe técnica do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde REDE CIEVS, com foco de trabalho em emergências de saúde pública com risco biológico. Na Prefeitura do Rio ocupou diversos funções de chefia no Centro de Controle de Zoonoses Paulo Dacorso Filho, inclusive a Direção Geral da unidade, cargo que permaneceu por mais de quatro anos. Neste período foi homenageado com a Medalha São Francisco de Assis, 3° milênio. Fez parte da equipe de Lideres Cariocas, programa desenvolvido pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro que visa a busca de servidores líderes em gestão, potencializando sua capacidade de gerar resultados alinhados às metas da Prefeitura. Realizou o curso de Gestão em Administração Pública pelo Instituto COPPEAD / UFRJ (2012). É especialista em Gestão de Vigilância Sanitária, pós graduação feita no Instituto Sírio e Libanês de Ensino e Pesquisa (2013). Tem experiência na área de Gestão em Saúde, Vigilância Sanitária, Zoonoses e emergências em saúde pública. Foi Assessor da Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais, onde desenvolveu um trabalho de Coordenação do Centro de Proteção Animal Fazenda Modelo, cargo que ocupou de julho de 2014 a fevereiro de 2018. Nesse período ganhou o Título de Cidadão Carioca. Na Fiscalização Sanitária, desenvolveu atividades de licenciamento e fiscalização de estabelecimentos veterinários. Ocupou o cargo de Assessor Especial na Subsecretaria de Bem Estar Animal da Casa Civil de 2018 à 2020. Neste período foi agraciado com o conjunto de medalhas Pedro Ernesto, mais alta honraria a Câmara de vereadores do Rio de Janeiro. Atualmente voltou a atuar na Direção do Centro de Control de Zoonoses Paulo Dacorso Filho.

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