Embrapa desenvolve vacina para controle do carrapato bovino

O carrapato-do-boi Rhipicephalus (Boophilus) microplus é um dos principais problemas do produtor, considerando que o Brasil é um país tropical e favorece a sua ocorrência durante o ano todo. Por conta disso, a pecuária brasileira perde cerca de US$ 3 bilhões por ano, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Corte.

Pensando no controle eficiente desse parasita, a Embrapa, em parceria com um laboratório farmacêutico, desenvolveu a primeira vacina. Segundo o médico-veterinário e pesquisador da Emprapa Gado de Corte, Renato Andreotti, a eficácia do imunizante é de 69% até o momento.

Andreotti atua na linha de pesquisa de controle e diagnóstico de parasitas e juntamente com a Emprapa, desenvolve um trabalho há duas décadas através do Museu do Carrapato, que nasceu da necessidade de oferecer um ponto de apoio regional sobre o assunto permitindo o acesso da sociedade de forma rápida a esses dados por um lado e da manutenção de indivíduos caracterizados e mantidos em uma coleção de referência servindo de apoio a comunidade científica.

“Nos últimos cinco anos, criamos um banco de dados do transcriptoma do carrapato, do seu genoma funcional. Com isso, nós conseguimos por meio de algoritmos selecionar centenas de antígenos potenciais. Esses antígenos são baseados em peptídeos, em epítopos. Essa geração de tecnologia é chamada de vacinologia reversa. Você vai do genoma para o antígeno e a resposta imune. Por meio disso, nós recebemos um financiamento de uma parceria privada, chamada Biotic, e nós testamos os melhores peptídeos que encontramos. A partir daí, conseguimos obter uma vacina com proteção de 69%”, explicou o pesquisador.

A vacina, segundo o pesquisador, foi registrada como patente no mês passado e, agora, segue com o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“A tendência de uso delas é para bovinos de raça europeia e animais cruzados. Uma indicação provável vai ser duas doses inicias com intervalo de 30 dias, e um reforço a cada 6 meses”, concluiu.

Renato Andreotti e Silva

Possui graduação em Medicina Veterinaria – pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Departamento de Ciências Agrárias (1982), mestrado em Ciências Biológicas (Biologia Molecular) pela Universidade Federal de São Paulo (1992) e doutorado em Ciências Biológicas (Biologia Molecular) pela Universidade Federal de São Paulo (2002) com bolsa sanduíche realizada nos Estados Unidos, na University of Wisconsin-Madison, realizou pós-doutorado no laboratório da ARS/USDA em Kerrville,Texas, Estados Unidos (2009/2010).

Atualmente é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária no CNPGC, Campo Grande, atua na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul como professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e do Programa de Pós-graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias. Mantem parceria com o laboratório da ARS/USDA em Kerrville,Texas, Estados Unidos; com a Universidade de Queensland, em Brisbane, Austrália; com a Universidade Técnica de Lisboa, Portugal e com a Universidade de Makarere em Uganda. Tem experiência na área de Bioquímica, com ênfase em Biologia Molecular, atuando principalmente nos seguintes tema: Eco-epidemiologia, diagnóstico e controle de parasitas com importância sanitária/econômica.

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